ANCHIETA IV

     De pessoa para pessoa a coisa se altera sobremaneira. É um fator inexplicável, apesar de alguns não concordarem. Mas em questão de sentimentos íntimos, cada um os possui de um jeito e uma forma. Por isso vemos aqueles que são apegados ao passado. Em contra partida, outros nem se lembram de quase nada. Ou será que o fingem?

     Pode-se pegar uma certa afirmação que usam, ou um modo de dizer que é o seguinte: "saí de Anchieta mas Anchieta não saiu de mim". Seria até bom que todos agissem ou pensassem dessa forma, não é? Mas aí é ou seria apelação de mais. E também existem aqueles que nasceram, viveram e ainda vivem em Anchieta. A isso chamamos de "criar raízes". Mas tais circunstâncias não são para muitos.

     No caso daquelas pessoas que ultrapassaram cinco ou mais décadas de existência, não é difícil levar em seu ser a vida de outrora. Aquela vivida em passado um pouco outrora, ou mesmo recente. Mas relembrar o que viveu naqueles períodos de vida é um fator de privilégio, principalmente em se tratando de alguém que ainda vive porque. quem já se foi dessa vida, não terá essa mesma alternativa.

     Dá pra entender que o fator principal, neste caso, foi a tranquilidade que se viveu naquelas épocas. Não havia essa violência todo que nos ocorre nesses dias atuais. Até mesmo as pessoas eram diferentes das que estão na atualidade. Respeitava-se quase tudo. Daí, uma grande diferença.

     Anchieta era um bairro distante do centro da cidade. E digamos que vivia espremido entre essa localização e a divisa de um estado com o outro. E com as mudanças geográficas que aconteceram alguns anos atrás, Anchieta deixou de ser divisa e passou a fazer limites com outro município, o de Nilópolis, cujo bairro aí localizado era Olinda. E ainda é.

     Também não se pode esquecer que mesmo morando num Estado que foi também o Distrito Federal, portanto a capital do país, mesmo assim quem morou em Anchieta gozou de situações que só se encontravam em interiores do país. Convivia-se com bois, cavalos, cabras e outros animais, vendo-os circularem pelas ruas. Estas fora da chamada "estação do bairro".

      Boa parte dessas ruas não possuíam calçamento/asfaltamento. Havia muitos terrenos vazios. Alguns eram usados para descarte de lixo da vizinhança. As conduções não eram tão farteis como as dos dias atuais. Isso obrigava a todos percorrerem distâncias entre seus lares e a estação do Trem, que era o transporte mais usado pela população do bairro, principalmente em deslocamentos para o centro da cidade.

      Talvez essas dificuldades até facilitassem entrosamentos entre as pessoas do bairro. Havia turmas e coleguismos entre muitos. Amizades se formavam, algumas que duram até os atuais dias. Mas também muitas dessas pessoas, ao mudar do bairro, cortaram e/ou cessaram convívios e contatos. E a vida seguiu adiante.

      

PAPO DE 171 OU DE MUITAS LOROTAS?

      Na assertiva anterior foi citado o termo Inteligência artificial, AI. E neste nosso presente, anda surpreendendo a quase todos. Alguns...